{"id":8736,"date":"2022-01-04T23:22:33","date_gmt":"2022-01-05T02:22:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blyme-yaoi.com\/2018\/?p=8736"},"modified":"2022-01-04T23:22:36","modified_gmt":"2022-01-05T02:22:36","slug":"a-evolucao-da-cultura-boys-love-o-bl-pode-despertar-mudancas-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blyme-yaoi.com\/2018\/2022\/01\/04\/a-evolucao-da-cultura-boys-love-o-bl-pode-despertar-mudancas-sociais\/","title":{"rendered":"A Evolu\u00e7\u00e3o da Cultura Boys Love: O BL Pode Despertar Mudan\u00e7as Sociais?"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Esta \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o do artigo <em><a href=\"https:\/\/www.nippon.com\/en\/in-depth\/d00607\/\">The Evolution of \u201cBoys\u2019 Love\u201d Culture: Can BL Spark Social Change?<\/a><\/em>, publicado no site Nippon.com em 24 de setembro de 2020.<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Boys Love \u00e9 um g\u00eanero de mang\u00e1 e livros homoer\u00f3ticos voltados para leitoras mulheres. BL se expandiu para anime, s\u00e9ries televisivas, v\u00eddeo games e outras m\u00eddias. O BL pode gerar mudan\u00e7as sociais reais, inclusive maior aceita\u00e7\u00e3o de minorias sexuais? A pesquisadora de mang\u00e1s Fujimoto Yukari compartilha suas vis\u00f5es sobre a cultura BL.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.nippon.com\/en\/in-depth\/d00607\/img\/02_13312.jpg\" alt=\"\" width=\"215\" height=\"307\"\/><figcaption><strong>Esse texto foi escrito por Fujimoto Yukari: Professora na Universidade de Meiji. Especialista em teoria cultural dos mang\u00e1s, g\u00eanero e representa\u00e7\u00e3o. At\u00e9 2007, era editora da empresa Chikumashobo, e criticava assuntos como mang\u00e1 e sexualidade. Autora de obras como <em>Watashi no ibasho wa doko ni aru no?<\/em> (Onde \u00e9 meu lugar?) e coautora de <em>BL no kyoukasho <\/em>(Livro Did\u00e1tico de BL).<\/strong><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e9ries televisivas Boys Love da Tail\u00e2ndia conquistaram o cora\u00e7\u00e3o de muitos f\u00e3s no mundo todo recentemente. 2gether<em>, <\/em>a hist\u00f3ria de amor de dois universit\u00e1rios, ganhou v\u00e1rios f\u00e3s, com um canal no YouTube oficial com legendas em ingl\u00eas, chegando at\u00e9 ao topo das Trends mundiais no Twitter. S\u00e9ries televisivas BL tailandesas, dispon\u00edveis atrav\u00e9s de servi\u00e7os de streaming e canais de TV, tamb\u00e9m ganharam uma fanbase no Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Boys Love se originou no Jap\u00e3o, espalhando-se pelo mundo todo como um g\u00eanero de mang\u00e1s e animes. De acordo com Fujimoto Yukari, pesquisadora de mang\u00e1s shoujo e quest\u00f5es de g\u00eanero, h\u00e1 um interesse crescente pela cultura BL na Tail\u00e2ndia, China, Taiwan, Cor\u00e9ia e outros pa\u00edses asi\u00e1ticos. Cada um evoluiu seguindo um caminho diferente, mostrando a complexidade das circunst\u00e2ncias sociais em que se encontram as pessoas LGBT+. Mas quais s\u00e3o as origens do BL no Jap\u00e3o, e como isso mudou ao longo do tempo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>A Revolu\u00e7\u00e3o de Takemiya Keiko e Hagio Moto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fujimoto acredita que o BL, de forma geral, surgiu primeiro como shounen-ai (amor de garotos) em mang\u00e1s voltados para o p\u00fablico feminino na d\u00e9cada de 1970, trazendo retratos de la\u00e7os fortes e encontros er\u00f3ticos entre garotos adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 a metade dos anos 60, a maioria dos mang\u00e1s para meninas eram criados por artistas homens. Mas no final da d\u00e9cada, surgiu uma nova onda de artistas mulheres, que nasceram depois da guerra. De repente, artistas mulheres que n\u00e3o eram muito mais velhas do que seu p\u00fablico come\u00e7aram a produzir mang\u00e1s que elas mesmas queriam ler. Isso criou a ideia de amor entre garotos. Antes, mang\u00e1s para meninas tinham protagonistas femininas, o que inevitavelmente limitava sua express\u00e3o devido \u00e0 posi\u00e7\u00e3o das mulheres na sociedade. Com protagonistas masculinos, as criadoras podiam mostrar personagens mais independentes e proativos, al\u00e9m de incluir narrativas ousadas e er\u00f3ticas. Este feito trouxe uma oportunidade, e as leitoras abra\u00e7aram fervorosamente essas obras que retratavam amor e apego entre personagens masculinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um grupo de autoras mulheres, incluindo Takemiya Keiko e Hagio Moto, produziram os primeiros mang\u00e1s shounen-ai. Elas foram chamadas de \u201c<a href=\"https:\/\/blyme-yaoi.com\/2018\/2018\/03\/09\/grupo-do-ano-24\/\">Grupo das flores do ano 24<\/a>\u201d, uma refer\u00eancia \u00e0 performance brilhante de sua gera\u00e7\u00e3o e suas datas de nascimento em meados de 1949 (ano 24 da era Showa). As criadoras tinham a inten\u00e7\u00e3o de abalar a sociedade atrav\u00e9s de novas formas de express\u00e3o nos mang\u00e1s. No mang\u00e1 autobiogr\u00e1fico <em>Shounen no na wa Jirubeeru <\/em>(O Nome do Garoto \u00e9 Gilbert), Takemiya disse que queria despertar uma revolu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de seus mang\u00e1s shoujo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/Sgwt3x7AYEKiNGH2kSrzUr8gfy_73BJFwT38QfvcSzP6aN9gLGolwhtiQDkfhi-SbrV4l4quKKP3THsyxjVWG-iXAEJ-zOIx650IdyTXyhudGPlcpKc8CIlVQEX2gPmq7o0iZgQs\" alt=\"\" width=\"257\" height=\"364\"\/><figcaption>Um relan\u00e7amento de 2019 de <em>Shounen no na wa Jirub\u0113ru <\/em>(O Nome do Garoto \u00e9 Gilbert), escrito por Takemiya<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Hagio Moto lan\u00e7ou sua s\u00e9rie <em>Pou no ichizoku<\/em> (O Cl\u00e3 Poe) em 1972. Ela conta as fa\u00e7anhas dos \u201cvampanellas\u201d (vampiros) de apar\u00eancia jovem Edgar e Alan atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, e \u00e9 considerado um cl\u00e1ssico imortal entre os mang\u00e1s shoujo. Em seguida, em 1974, ela lan\u00e7ou <em>Touma no shinzou<\/em> (O Cora\u00e7\u00e3o de Thomas), uma hist\u00f3ria que se passa em um internato na Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, em 1976, Takemiya come\u00e7ou <em>Kaze to ki no uta <\/em>(O Poema do Vento e das \u00c1rvores), s\u00e9rie considerada o \u00e1pice do shounen-ai. O mang\u00e1 retratava o amor homossexual do belo jovem Gilbert, mas tamb\u00e9m inclu\u00eda cenas intensas de estupro e incesto, o que deu origem a um fen\u00f4meno.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, a revista mensal <em>Bessatsu shoujo<\/em>, trazendo hist\u00f3rias de Hagio e Takemiya, vendeu mais de um milh\u00e3o de c\u00f3pias por edi\u00e7\u00e3o. Era um admir\u00e1vel mundo novo, onde hist\u00f3rias publicadas por meios de comunica\u00e7\u00e3o em massa refletiam os valores de mulheres jovens nascidas no p\u00f3s-guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>No final dos anos 1970, muitas revistas traziam obras que continham rela\u00e7\u00f5es entre homens. Ent\u00e3o, em 1978, uma revista dedicada ao g\u00eanero foi lan\u00e7ada: <strong>June<\/strong><em>.<\/em> Ela era conhecida por ter um forte foco est\u00e9tico em beleza jovem, e trazia se\u00e7\u00f5es culturalmente conscientes sobre literatura, livros, arte e filmes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Yaoi<\/strong><strong><em> <\/em><\/strong><strong>se Espalha Pelo Mundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No final dos anos 1980, houve um forte aumento em obras derivativas conhecidas como yaoi, mang\u00e1s par\u00f3dia publicados como <em>doujinshi<\/em> &#8211; revistas amadoras publicadas de forma independente. Alguns dos primeiros traziam par\u00f3dia do mang\u00e1 para garotos<a href=\"https:\/\/www.nippon.com\/en\/views\/b00103\/\"> <em>Captain Tsubasa<\/em><\/a> (Super Campe\u00f5es). O Yaoi pegava personagens famosos de mang\u00e1s e animes para garotos e os colocava em situa\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas. Obras BL comerciais surgiram de tais quadrinhos <em>yaoi<\/em>, envolvendo hist\u00f3rias de amor adolescente para criar um entretenimento mais animado.<\/p>\n\n\n\n<p>Editoras perceberam o valor comercial do <em>yaoi<\/em> no in\u00edcio dos anos 90, e lan\u00e7aram revistas dedicadas ao BL. Autores que inicialmente tiveram fama em <em>doujinshi <\/em>receberam ofertas para desenhar mang\u00e1s. Gra\u00e7as ao lan\u00e7amento de revistas BL como a Be \u00d7 Boy,<em> <\/em>o BL tornou-se um g\u00eanero comercialmente estabelecido. Mas foi a autora de mang\u00e1s Ozaki Minami, que originalmente era autora de yaoi, que despertou a febre mundial do BL japon\u00eas com seu mang\u00e1 <em>Zetsuai 1989 <\/em>(Amor Desesperado 1989). Ele foi lan\u00e7ado na Margaret, uma revista mainstream semanal de mang\u00e1s shoujo, e supostamente era uma cria\u00e7\u00e3o original. Entretanto, apesar de os personagens e a hist\u00f3ria serem novos, eram obviamente inspirados em Captain Tsubasa, o que coloca esta obra no g\u00eanero yaoi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>BL na \u00c1sia e Regulamenta\u00e7\u00e3o da Express\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje em dia, h\u00e1 muitos BL comerciais que s\u00e3o descaradamente er\u00f3ticos. De fato, at\u00e9 recentemente, o Jap\u00e3o tinha pouca censura de express\u00e3o art\u00edstica em obras BL. Fujimoto acredita que a liberdade de express\u00e3o que existe no Jap\u00e3o contempor\u00e2neo \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o contra a regulamenta\u00e7\u00e3o da livre express\u00e3o que ocorreu durante a 2\u00b0 Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela explica que as pessoas que entendem a mudan\u00e7a dr\u00e1stica nos valores p\u00f3s-guerra, especialmente os mais velhos e mais poderosos, inclusive conservadores, sabem mais dos perigos de regulamentar a liberdade de express\u00e3o atrav\u00e9s da lei. O respeito convencional japon\u00eas por l\u00f3gica e moralidade permite que a fantasia exista como uma forma de aliviar o estresse. Com BL, conte\u00fado er\u00f3tico expl\u00edcito \u00e9 visto como algo diferente da pornografia simplesmente porque enfatiza a rela\u00e7\u00e3o entre dois personagens. Al\u00e9m disso, material er\u00f3tico para mulheres raramente \u00e9 levado a s\u00e9rio.\u00a0 Mas recentemente, o BL sofreu regulamenta\u00e7\u00f5es mais r\u00edgidas. Em T\u00f3quio e outras jurisdi\u00e7\u00f5es, obras BL est\u00e3o cada vez mais sendo consideradas como literatura prejudicial.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o varia em outros pa\u00edses asi\u00e1ticos. Na China, novels BL t\u00eam grande popularidade, mas cenas de amor entre homens n\u00e3o podem ser inclu\u00eddas em s\u00e9ries televisivas. <em>Chen qing ling<\/em> (O Indom\u00e1vel), s\u00e9rie de fantasia hist\u00f3rica, foi baseada em uma novel BL online, mas foi reformulada para televis\u00e3o como um \u201cbromance\u201d, mostrando uma liga\u00e7\u00e3o forte entre os personagens masculinos. Express\u00f5es de amor entre os dois s\u00e3o apenas insinuadas. At\u00e9 escrever novels BL traz riscos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fujimoto diz que o governo chin\u00eas n\u00e3o estipula o que est\u00e1 sujeito \u00e0 censura, mas cenas \u00edntimas s\u00e3o arriscadas. Obras BL online j\u00e1 receberam acusa\u00e7\u00f5es duas vezes. Em 2018, um criador de BL recebeu uma pena de 10 anos de pris\u00e3o por publicar sem a aprova\u00e7\u00e3o do governo (a China tem um sistema de licen\u00e7as). Mas, apesar dos perigos que enfrentam, os autores de BL n\u00e3o desistiram e t\u00eam uma fanbase dedicada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mang\u00e1s BL tamb\u00e9m s\u00e3o populares na Coreia do Sul, mas o pa\u00eds tem uma regulamenta\u00e7\u00e3o r\u00edgida com conte\u00fado sexual. Fujimoto acredita que fatores sociais tornam a vida de pessoas LGBT na Coreia mais dif\u00edcil do que no Jap\u00e3o. Em contrapartida, casamentos de mesmo sexo foram legalizados em Taiwan em 2019, e f\u00e3s de BL que frequentavam um evento de doujinshi no pa\u00eds participaram ativamente no movimento em prol da legaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>S\u00e9ries BL Tailandesas Trazem Maior Aceita\u00e7\u00e3o para Pessoas LGBT<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Tail\u00e2ndia em particular est\u00e1 presenciando o nascimento de sua pr\u00f3pria cultura BL, especialmente em s\u00e9ries de TV.<\/p>\n\n\n\n<p>Fujimoto diz que a hist\u00f3ria de s\u00e9ries BL na Tail\u00e2ndia come\u00e7ou em 2013, quando a primeira s\u00e9rie genuinamente BL foi exibida. Em 2016, uma s\u00e9rie chamada <strong>Sotus <\/strong>foi um grande sucesso. Mas BL s\u00f3 se tornou mainstream recentemente. Agora, uma gama diversa de s\u00e9ries BLs foram produzidas, trazendo uma conex\u00e3o entre f\u00e3s de BL e gays. A s\u00e9rie <strong>Dark Blue Kiss<\/strong> abordou temas como discrimina\u00e7\u00e3o e sair do arm\u00e1rio para os pais, mas tamb\u00e9m mostrou cenas de amor que tinham apelo para os f\u00e3s de yaoi. Ela foi criada para que o p\u00fablico naturalmente apoiasse o casal principal.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 movimentos significativos em busca do reconhecimento legal de casais gays no pa\u00eds. Em julho de 2020, a uni\u00e3o civil foi aprovada pelo gabinete tailand\u00eas, permitindo que casais do mesmo sexo adotassem filhos e deixassem heran\u00e7a. Se for aprovada pelo parlamento, seria um grande passo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o do casamento de mesmo sexo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>A Controv\u00e9rsia do Yaoi &#8211; Diferente da Realidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio de como \u00e9 em Taiwan e na Tail\u00e2ndia, no Jap\u00e3o, h\u00e1 uma grande discrep\u00e2ncia entre a vida de homens gays de verdade e personagens de BL e obras similares. Fujimoto acredita que essa diferen\u00e7a \u00e9 o motivo pelo qual o g\u00eanero n\u00e3o promove apoio ou solidariedade com as pessoas gays na sociedade japonesa no mesmo n\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio dos anos 90, houve um debate acirrado sobre yaoi em uma revista feminista. Surgiu um antagonismo com coment\u00e1rios de que yaoi e BL estavam tratando sexo gay com superficialidade, fetichizando, fantasiando e impondo normas est\u00e9ticas em pessoas gays.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/KYaooTa9fPFF_0x1bhm77dKeE7rTsj70SEEXrBId27cU0Rx7vEWgveTwaxnxKLqeYjUiuD-qc67gMzfblx2XjifNGGSV3x4YhSiKSftxRlsW-4zQj1NGpv5uKWuu_8i06fp49wmQ\" alt=\"\" width=\"306\" height=\"453\"\/><figcaption><em>BL Shinkaron\u2014Bouizu rabu ga shakai o ugokasu<\/em> (A Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o do BL e seu Impacto na Sociedade), de 2015.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O homem que publicou essas cr\u00edticas ao BL disse que, quando era jovem, ele acreditava que era a \u00fanica pessoa gay que existia, mas que foi salvo por hist\u00f3rias de amor entre homens como<em> Kaze to Ki no Uta<\/em>. Entretanto, yaoi e outras obras de f\u00e3s come\u00e7aram como par\u00f3dias de anime e mang\u00e1, e foram criadas para serem fantasia. Os autores claramente n\u00e3o t\u00eam interesse algum em pessoas gays de verdade. Fujimoto sente que esse foi um fator que atraiu cr\u00edticas ao BL.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa \u201ccontrov\u00e9rsia yaoi\u201d tamb\u00e9m levou a uma reavalia\u00e7\u00e3o gradual das formas de express\u00e3o da parte de autores e leitores de BL. Em <em>BL shinkaron<\/em> (A Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o do BL), a ativista l\u00e9sbica e acad\u00eamica Mizoguchi Akiko escreve que, desde o final dos anos 2000, autores talentosos surgiram e passaram a produzir um novo estilo de BL que retrata rela\u00e7\u00f5es entre homens com mais complexidade e sensibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O BL evoluiu e se tornou um g\u00eanero que oferece um potencial infinito para mostrar novos tipos de rela\u00e7\u00f5es que est\u00e3o fora das normas sociais que restringem rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres. Eles chegaram a um novo n\u00edvel de diversidade e requinte. Com as Olimp\u00edadas de T\u00f3quio, tanto o governo como a m\u00eddia passaram a pedir mais diversidade e inclus\u00e3o, inclusive de pessoas LGBT. O clima geral da sociedade est\u00e1 mudando aos poucos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>O \u201cElo Perdido\u201d para Quebrar a Maldi\u00e7\u00e3o da Normalidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fujimoto acredita que s\u00e9ries de TV trouxeram o \u201celo perdido\u201d para diminuir a dist\u00e2ncia entre a fic\u00e7\u00e3o BL e pessoas gays de verdade. At\u00e9 recentemente, BL se limitava a mang\u00e1s e novels. Mas s\u00e9ries de TV, com atores humanos, criam uma conex\u00e3o natural com a realidade, apesar de obviamente serem fic\u00e7\u00e3o. Fujimoto sente que elas geram uma mudan\u00e7a subconsciente na percep\u00e7\u00e3o dos espectadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Fujimoto indica<em> Ossan\u2019s Love<\/em>, uma s\u00e9rie de sucesso que gerou um filme. Ela sente que a s\u00e9rie foi uma obra de entretenimento que foi criada com cuidado, com uma abordagem casual, por\u00e9m atenciosa, que foi bem recebida na comunidade gay.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro exemplo \u00e9<em> <\/em><a href=\"https:\/\/blyme-yaoi.com\/2018\/2020\/03\/04\/kinou-nani-tabeta\/\"><em>Kinou Nani Tabeta <\/em>(O que Voc\u00ea Comeu Ontem?)<\/a>, serializada em uma revista de mang\u00e1s para meninos, escrita pela autora de BL Yoshinaga Fumi e que tamb\u00e9m se tornou uma s\u00e9rie de TV. A hist\u00f3ria mostra a vida dom\u00e9stica feliz de um casal gay de meia idade, um \u00e9 advogado e o outro \u00e9 cabeleireiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Na opini\u00e3o de Fujimoto, as normas convencionais do Jap\u00e3o tendem a reprovar quem sai das normas sociais, o que leva \u00e0 infelicidade dessas pessoas. H\u00e1 uma discrimina\u00e7\u00e3o inconsciente, mesmo entre os jovens, de que as pessoas gays, por serem anormais, s\u00e3o dignas de pena e precisam de ajuda. Agora, h\u00e1 sinais de mudan\u00e7a. Fujimoto acredita que se as pessoas assistirem s\u00e9ries sobre casais gays normais aproveitando sua vida dom\u00e9stica, e perceberem o que t\u00eam em comum, isso pode gerar uma mudan\u00e7a na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Representa\u00e7\u00f5es de casais de homens gays tamb\u00e9m mudar\u00e3o as percep\u00e7\u00f5es sobre os homens. <em>Kinou Nani Tabeta<\/em>? mostra Shirou, um advogado, preparando refei\u00e7\u00f5es em casa todos os dias. Um retrato realista pode ajudar os jovens a se livrarem das amarras da masculinidade estereotipada. Mas Fujimoto teme que o valor do BL seja diminu\u00eddo com o crescimento recente de obras BL que simplesmente colocam dois atores gal\u00e3s para fazer sucesso. Ela espera que as produ\u00e7\u00f5es futuras tentem ter mais qualidade de apresenta\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, com uma percep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico maior a respeito de mang\u00e1s BL,<em> <strong>Momo to Manji<\/strong> <\/em>(Momo e Manji), um mang\u00e1 hist\u00f3rico que se passa no per\u00edodo Edo, foi a primeira obra BL a ganhar um pr\u00eamio de mang\u00e1 no Japan Media Arts Festival, organizado pela Ag\u00eancia para Assuntos Culturais do Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ent\u00e3o, qual o significado do BL hoje em dia?<\/h4>\n\n\n\n<p>Fujimoto acredita que as obras BL est\u00e3o quebrando as normais sociais, o conhecimento convencional e os estere\u00f3tipos ao trazer uma representa\u00e7\u00e3o sens\u00edvel da diversidade das rela\u00e7\u00f5es humanas. BLs realistas diminu\u00edram a diferen\u00e7a entre a fic\u00e7\u00e3o e a vida real, e com as mudan\u00e7as acontecendo lentamente em pa\u00edses como a Tail\u00e2ndia e Taiwan, obras BL que representam a vida comum podem acabar casualmente se infiltrando na consci\u00eancia das pessoas, dando in\u00edcio a uma nova era.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Originalmente escrito em japon\u00eas. <\/em>Entrevista e texto por Itakura Kimie do Nippon.com<em>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o do artigo The Evolution of \u201cBoys\u2019 Love\u201d Culture: Can BL Spark Social Change?, publicado no site Nippon.com em 24 de setembro de 2020. Boys Love \u00e9 um g\u00eanero de mang\u00e1 e livros homoer\u00f3ticos voltados para leitoras mulheres. BL se expandiu para anime, s\u00e9ries televisivas, v\u00eddeo games e outras m\u00eddias. 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