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Entrevista com Zakuro e Haruka, as vice-campeãs do “Concurso Cosplay”

Entrevista com Zakuro e Haruka, as vice-campeãs do "Concurso Cosplay"

 

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Banri Watanuki (Zakuro) e Roromiya Karuta (Haruka) – Inu Boku SS

Como prometido, trago agora a sequência de entrevistas com os vencedores do “Concurso Cosplay do Blyme”! Hoje com as vencedoras do segundo lugar: Zakuro e Haruka!

Elas ganharam a segunda posição com a linda foto que segue. Criativa e superfofa, né? <3 Amamos!

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Kisa (Haruka) e Yukina (Zakuro) – Sekai-ichi Hatsukoi

 

 

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Haruka – Kisaragi Saya – Blood

A Haruka tem vinte anos, mora em São Paulo e é estudante de Design de Interiores! Por amar decoração, resolveu estudar e dedicar-se à essa profissão. Olha que curioso: a Haruka joga “The Sims” desde muito nova e disse que isso a ajudou bastante na hora de escolher que carreira seguir! Ela ama cozinhar, veja só, outra garota prendada na nossa turma de vencedores! Por gostar muito de fazer doces decorados pretende, por hobby, fazer cursos de gastronomia e patisserie. Gosta de música clássica, pop e coreana. É viciada em K-doramas e disse que “se deixar, vejo um completo em dois dias ou menos.” Nintendista, compartilha do amor por “The Legend of Zelda” com sua mãe. Ah, na casa dela todos são “nintendistas” por isso lá eles tem vários e vários jogos. (ô que inveja!) Devido à esse amor, a Haruka comentou que tem projetos e mais projetos de cosplay de personagens desse jogo. Com isso, ela pretende aumentar sua “skill” de costura. É isso aí Haruka!

 

 

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Zakuro – Okumura Rin – Ao no Exorcist

A Zakuro tem vinte e dois anos, mora em São Paulo e é estudante de Design de Moda. Ela se denomina uma “cosplayer anciã que adora ler, escrever e cantar”. Por amar cantar, sempre vai a karaokês com os amigos. Além disso tudo, ela gosta de editar mangás e assistir animes, sendo seus gêneros preferidos “seinen” e “shonen”. Também gosta muito de jogar roleplays e otome games com a Haruka. A Zakuro é fascinada por história e moda, principalmente moda japonesa. Pretende trabalhar com figurino de cinema, TV, teatro ou criar roupas para que as meninas se sintam como princesas. Que lindo, Zakuro! <3 Ela também gosta de se vestir como dansou e sonha em se tornar uma “girl-prince” digna! A Zakuro ainda gosta de jogar Pump e fazer festa de pijama com as amigas. Apesar de ser descendente de italianos, ela comentou que se sente 100% japonesa, tamanho o amor que ela tem por essa cultura. E ainda mais, se não tivesse seguido carreira em moda, seria tatuadora, pâtisserie, atriz, dubladora, maquiadora ou host. Essa sim tem vários talentos!

 

Entrevista

Mah: Há quanto tempo é cosplayer e qual foi seu primeiro cosplay?

 Haruka: Sou cosplayer desde janeiro de 2011 (no Anime Dreams), meu primeiro cosplay foi da Sally Xarope/Syrup, do Flap Jack! É uma personagem desconhecida, mas estávamos com grupo e foi super divertido! >w<

Zakuro: Sou cosplayer há mais ou menos dez anos e meu primeiro cosplay foi a Ururu de Bleach.

 

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Moriyama Shiemi – Haruka e Okumura Rin  – Zakuro – Ao no Exorcist

Mah: Tem alguma lembrança inesquecível sobre seu primeiro cosplay? Daquelas lembranças que “ficaram para a história” por ter sido ou muito cômico ou muito emocionante?

Haruka: Só pelo fato de ter sido meu primeiro cosplay, já virou uma lembrança inesquecível pra mim! Lembro que fiquei “protegendo” meu Flap, assim como a personagem faz no episódio que ela aparece.

Zakuro: Nunca vou me esquecer num dos eventos em que usei a Ururu, e encontrei um grupo ENORME de Bleach! Todos estavam incrivelmente lindos e um dos membros do grupo me chamou para tirar foto com eles. Tinha muita gente fotografando e até me passaram um Kon de pelúcia para segurar. Naquela hora eu fiquei tão feliz por estar tirando fotos com cosplayers tão bons que foi difícil manter a expressão tristonha da personagem ahahaha!

 

 

Mah: De seus cosplays, qual foi o que mais gostou de fazer, o que mais te marcou? Por quê?

Haruka: Eu tenho uma relação de amor e ódio com meu cosplay de Louise de “Zero no Tsukaima”. Foi o primeiro anime que assisti em japonês. Vi a primeira temporada no youtube, legendado em espanhol, já que eu não baixava nada na época. Foi amor instantâneo! Eu gostava muito da personagem e sonhava em fazer cosplay dela (Isso em em 2007~2008, mesma época que comecei a ir a eventos). Contudo, só consegui fazer o cosplay em 2012, um ano depois que comecei  com o hobby, o que foi ótimo! Caso contrário provavelmente eu faria o cosplay todo errado. O fato sobre esse cosplay que mais me marcou foi a Zakuro ter feito o Saito. Foi uma surpresa, já que descobri só no evento, quando ela apareceu atrás de mim… Ajoelhada! Fiquei tão feliz que não soube como reagir e fiquei a abraçando por um tempão! A relação de ódio que tenho com o cosplay é  que essa personagem é tão importante pra mim que eu não me sinto boa o suficiente para ser ela. Eu já refiz o cosplay todo algumas vezes e mesmo assim sempre acho defeitos…É um sério problema que tenho, mas  não consigo me controlar xD

 Zakuro: Eu gosto muito de todos os que faço, mas o que mais me marcou com toda certeza foi o Hiraga Saito de Zero no Tsukaima. Eu fiz esse cosplay como um presente surpresa para a Haruka. Ela sempre gostou do anime e queria muito fazer a Louise, e tinha até me chamado para fazer alguém do anime junto com ela. Mas eu nunca tinha me interessado, então recusei e deixei para lá. Então, em dezembro de 2011,resolvi assistir um episódio da série por pura curiosidade e… Quando percebi, já tinha terminado a primeira temporada toda! Nisso veio a ideia de fazer o Saito. Daí eu tive uma ideia ainda melhor: fazer o cosplay sem que a Haruka soubesse para surpreendê-la no evento de estréia da Louise dela! Para essa proeza dar certo foi uma loucura! Um dia antes do evento ela dormiu na minha casa. Tive que deixar tudo arrumado antes dela chegar: guardei o cosplay dentro da mochila e a espada, tive que enrola-la em panos e papelões, tudo pra Haruka não descobrir.  Até a lente só  coloquei no evento para que ela não suspeitasse de nada! Foi um dos dias mais legais que passamos juntas n_n.  Acabei criando um carinho enorme por esse cosplay depois disso, e não me canso de usá-lo! Inclusive, até fui arrumando detalhes que não estavam perfeitos com o passar do tempo. Me sinto muito confortável com ele e significa muito mesmo para mim.

 

Zakuro1

Zakuro – Elfo – OC

Mah: Na hora de escolher qual cosplay fazer, o que você visa? Aparência ou amor pelo personagem?

Haruka: Como já disse num texto em nossa página, escolho fazer um cosplay por gostar muito do personagem, admirá-lo e principalmente por ele ser, de alguma forma, importante para mim. Eu não tenho muito tempo e dinheiro (infelizmente xD) pra me dedicar à personagens que não me chamam atenção. Por isso eu sempre escolho fazer cosplay por amor ao personagem.

 Zakuro: Dou prioridade ao amor que tenho pelo personagem. É lógico que também levo em consideração a aparência do mesmo, mas primeiro eu preciso me apegar muito à ele para por o projeto em prática. Também espero para ter certeza de que não é “fogo de palha”  e só então corro atrás de fazê-lo.  Busco fazer personagens com que me identifico ou admiro de alguma forma.

 

Mah: Sabemos que hoje em dia sites como o ebay ou sites da China, principalmente, ajudam muito os cosplayers, seja em vendas de acessórios, perucas, lentes ou até mesmo do outfit completo! Isso facilita a vida de muita gente, principalmente daqueles que não tem tanto tempo disponível para se dedicar na criação total de seus cosplays. O “por a mão na massa” ainda sobrevive ao capitalismo, porém sabemos que em partes. Como é o processo de criação de seu cosplay?

 Haruka: Uso um site de confiança para comprar as minhas lentes, e, antigamente, costumava usar o ebay pra comprar wigs. Do fim do ano passado pra cá aprendemos a usar o taobao e isso facilitou bastante nossas vidas. Agora as wigs eu compro por lá. Também investimos em pequenos acessórios que não tem por aqui ou que dão trabalho para fazer (e no fim não iria ficar tão bom quanto queríamos). Como a maioria dos nossos cosplays são simples, esses acessórios acabam complementando bastante pra não ficar muito “sem graça”. Antigamente minha vó fazia meus cosplays e minhas peças de lolita. Eu a ajudava no processo e com isso aprendi a costurar! Agora ganhei uma máquina nova e consigo me virar quase que sozinha, contando com algum auxílio da minha mãe (ela ajudava minha vó com uma coisa e outra na costura quando era criança, então sabe costurar tanto quanto eu xD). Sobre os outros acessórios (daqueles que precisaríamos contratar um cosmaker pra fazer) a Zakuro quem me ajuda, já que não tenho espaço pra fazer coisas grandes  (e ela tem mais jeito pra isso).

 Zakuro: Quando eu comecei a fazer cosplay, não havia nada de lojas de importação e coisas assim. Lá fora o pessoal já usava perucas e lentes com qualidade melhor, mas aqui isso era inacessível e um completo sonho. Então eu comprava os tecidos, levava na costureira, e, se houvesse algum acessório, eu fazia com materiais recicláveis. E era só isso! Hoje, muito graças à Haruka, eu importo as lentes, a peruca e algum acessório que sei que vai ser difícil encontrar aqui ou de manufaturar sozinha. Normalmente a peruca vem primeiro, e assim já aproveito para estiliza-la, fazer prévias e testar a maquiagem. Compro os tecidos sozinha ou com amigas, pesquisando preços, tipos e o caimento que eu quero que tenha. Há algum tempo atrás eu mandava fazer as roupas com uma costureira especializada em fantasias em geral ou na malharia de uma parente. Mas com o tempo eu e a Haruka nos aventuramos a costurar os cosplays sozinhas, começando por peças simples. Agora faço tudo eu mesmo, tendo a ajuda de pessoas mais experientes para me auxiliarem. Isso barateia muito o custo geral do cosplay e ainda por cima é divertido! Logicamente, a faculdade também teve um papel muito importante nessa mudança. Ainda faço alguns acessórios, às vezes errando e às vezes acertando, mas sempre economizando o máximo possível usando materiais recicláveis e coisas que já tenho em casa.

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Haruka – Shouta Kisa – Sekaiichi Hatsukoi

Mah: Qual cosplay você sonha fazer, porém ainda não fez por motivos maiores?

 Haruka: A Inner Moka de “Rosario + Vampire”. Não a fiz ainda porque ela é uma personagem que tem o ”tipo” diferente do meu”… Enquanto sou magrinha e pareço uma loli, ela é “gostosa”, séria e parece mais velha. Por incrível que pareça, depois do shoot que fizemos pro concurso, estou muito confiante em fazê-la para saber se vai dar certo xD.

Zakuro: Ai meu deus, tem um montão IOEHRIER. Acho que a Zakuro, de “Otome Youkai Zakuro” e a Homura Akemi de “Mahou Shoujo Madoka Magika”.  Em se tratando de crossplay o Himura Kenshin de “Rurouni Kenshin”, e o Edward Elric de “Fullmetal Alchemist”. A Zakuro eu quero fazer com a padronagem do kimono do mangá  e a Homura ainda preciso correr atrás dos tecidos, mas são duas personagens que eu tenho um carinho ENORME. O Kenshin preciso costurar, mas como é uma roupa tradicional japonesa, quero fazer com as medidas e caimentos certos. Já o Edward estou enrolando porque ele é meu personagem masculino favorito, e eu quero que fique absolutamente perfeito!

 

Mah: E quantos cosplays já fez?

 Haruka: Cosplay, com roupa oficial foram nove.  Já fizemos quatro photoshoots  onde vestíamos roupas alternativas para os personagens, para só depois fazermos as roupas oficiais deles! Fora os de armário e OCs xD

 Zakuro: Acho que por volta de vinte e cinco. Muitos foram quando eu era bem mais nova, então não me lembro direito ;-; Fiz muitas coisas de armário também!

 

Mah: Entrando agora na temática do Blyme, é fujoshihá quanto? Como descobriu o universo yaoi/BL e o que mais chamou sua atenção para o tema?

 Haruka: Há uns sete anos, mais ou menos! Minha melhor amiga é viciada em yaoi e foi  ela quem me apresentou. Na época eu não gostava e ela me fazia ler algumas fanfics yaoi… Acabei fazendo uma oneshot muito fofa pra ela de aniversário e, depois disso, sem perceber acabei virando fujoshi xD Eu realmente nunca pensei sobre o que me chama mais atenção no tema, talvez… Tudo?

 Zakuro: Eu acho que realmente comecei a me interessar mais por yaoi lá pros meus dezessete ou dezoito anos. Meu primeiro contato, de fato,  foi com uns treze  ahahaha. Uma amiga minha era muito fujoshi e acabou me empurrando muitas fanfics yaoi para ler. Daí  eu assisti Gravitation e comecei a ler fanfics e mangás por conta própria, mais por curiosidade. Acho algumas histórias bastante diferentes de romances convencionais e alguns ships não-canon são muito interessantes de desenvolver. Inclusive, foi isso o que mais me fez curtir yaoi, na verdade.

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Haruka – Ayuzawa Misaki (versão “Ladies Day” – Capítulo 6 e capa do 3º volume) e Zakuro – Takumi Usui – Kaichou wa Maid-sama!

 

Mah: Qual foi seu primeiro contato com crossplay e o que mais te despertou interesse nesse quesito?

 Haruka: Hmm… Não me recordo, mas provavelmente quando comecei a ir em eventos e me interessar por cosplay. Comecei a ver fotos de crossplay e achar muito legal! O que mais me despertou interesse foram esses bishounens lindos <3

 Zakuro: Frequento eventos há muito, muito tempo, e sempre vi muitas meninas fazendo crossplay, principalmente no Deviantart. Eu até tinha um ou outro projeto em mente, mas nada muito concreto. Daí em maio de 2011, peguei uma peruca curta que eu tinha e inventei um OC para usar num evento com uma amiga. Essa foi a primeira vez que tentei me vestir de menino e me senti muito bem! Foi super confortável e divertido, mesmo que tenha ficado bem amador. Daí com o tempo fui escolhendo mais crossplays para fazer, e bom, hoje eles ocupam 50 ou 60% da minha lista ahahaha! Eu gosto muito de me vestir diferente do usual, de brincar com a minha aparência, e o crossplay de certa forma me traz muita força interior. A primeira vez que eu fiz crossplay foi numa época um pouco complicada em termos de relacionamento para mim, então isso simbolizou uma libertação de todos os pré-conceitos que eu tinha sobre mim mesma. Notar que eu tinha e podia expressar esse pólo masculino na minha personalidade (e ainda ser uma mulher) mexeu muito com a forma que eu me julgava e me fez mudar muito. Eu me sinto muito forte e confiante de crossplay, algo que às vezes não sinto de cosplay, talvez pela personagem ser delicada e etc.

 

Mah: E qual foi seu primeiro crossplay?

 Haruka: Foi um improviso de Ciel xD Ficou uma droga, sinceramente hsuaahuahuhau. Dois anos depois consegui melhorá-lo! Poucos meses depois fiz do Misaki de “JunjouRomantica” usando realmente roupas de menino :3

 Zakuro: O primeiro foi o Alois Trancy de “Kuroshitsuji” versão Wonderland. Como essa roupa ainda é muito feminina, o primeiro que eu realmente fiz com roupas masculinas e tudo mais foi o Hiraga Saito.

 

Mah: Quanto à temática BL, quando foi a primeira vez que fez crossplay com a intenção de fotos com fanservice e qual foi o primeiro casal que você e sua/seu amiga/o fizeram? Porque escolheram esse casal?

Haruka: Desde a primeira vez que fiz crossplay xD.  Eu e a Zakuro sempre fazemos, nem que sejam fanservices “fofos”. Às vezes acabamos fazendo, mesmo sem ter intenção!  O primeiro casal de meninos que fizemos foi Ciel e Alois, mas de yaoi MESMO foi esse do concurso :3

 Zakuro: Acho que foi o Alois! Na verdade a intenção inicial não era fazer só para fotos com fanservice, foi também porque eu e a Haruka fazíamos roleplay de ambos e quase sempre rolava um yaoi. Então quando fizemos os cosplays (e versões casuais) foi natural e divertido de interpretar na vida real e registrando em fotos.

 

 Mah: O que acha sobre o preconceito que algumas pessoas têm sobre “garotas que fazem cosplay de homem”? Já sofreu algum tipo de preconceito desse tipo?

 Haruka: Acho bem idiota… Já fizeram comentários do tipo “Ah, agora você vai começar a beijar meninas né, está fazendo personagens masculinos.”  Mas fora isso, nunca cheguei a sofrer algum preconceito grave por fazer crossplay.

 Zakuro: Nossa, eu acho uma completa babaquice. A maior parte dos comentários que pessoas assim fazem é “vai fazer crossplay? Então tá virando lésbica”. O que não tem absolutamente nada a ver! Cosplay é isento de opção sexual. Só porque você se veste assim por hobby e brincadeira, não significa que você vai absorver isso completamente na sua vida. Então se eu fizer cosplay de uma garota mágica, eu vou ter poderes? Se eu fizer cosplay de um jogador de basquete, automaticamente vou ter que praticar o esporte? Já sofri esses preconceitos sim, tem muita gente que não gosta e “acha tosco” eu me parecer com um menino de vez enquando. Às vezes até diziam que eu estava “viado” e “não parecendo um macho convincente” (sendo que bishounens possuem traços naturalmente femininos, então isso não faz sentido). Também sofro muito com minha altura, porque eu só tenho por volta de 1,55cm. Acho que comigo é um pouco pior devido, de uns tempos para cá, eu ter tomado gosto de me vestir no estilo  dansou.

 

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Haruka – Ciel Phantomhive – Kuroshitsuji

Mah: E quanto ao preconceito geral que as pessoas têm para com cosplayers e fãs de cultura pop oriental e afins?

 Haruka: É bem complicado e idiota também. Antes de começar a fazer cosplay  eu usava lolita, saía na rua várias vezes com o outfit completo e sempre ouvia comentários engraçadinhos e risadinhas dos outros… Até hoje é assim, já que não parei de usar o estilo. Uso outras roupas de moda oriental e, mesmo sendo mais discretos, (apesar de usar peruca e lente)  sou obrigada a aguentar vários olhares e comentários que não são nada agradáveis de se ouvir. É triste pra todos que usam estilos diferentes do que as pessoas daqui estão “acostumadas”,  já que as as mesmas se acham no direito de rir e fazer piadinhas num tom  alto o suficiente pra te constranger. Acho que todos deveriam cuidar das suas próprias vidas e deixar seus comentários inúteis e negativos pra si mesmos e aprender a respeitar o que não conhece ou entende.

 Zakuro: Quando comecei cosplay, foi numa época que isso era visto com um pouco mais de preconceito. Fui sim feita de piada várias vezes, mas eu não me importava. Não ia deixar de gostar de algo só porque as outras pessoas são preconceituosas. Hoje eu acho, graças à mídia e à internet, que as pessoas possuem muito mais conhecimento e entendimento sobre cosplay. Podem até achar esquisito, mas o fato do cosplay no Brasil também ser reconhecido mundialmente pelo WCS e por ter saído do foco de somente séries japonesas (hoje vemos muitos cosplays de Disney, desenhos em geral, filmes ocidentais e etc) ajudou tais pessoas a pararem de tratar o hobby como “coisa de gente maluca” e a enxergá-lo como uma brincadeira divertida!

 

Mah: Já sofreu algum tipo de abuso, sendo cosplayer mulher? Se sim, que tipo de abuso?

 Haruka: Ah, infelizmente sim e foi muito desagradável: pediram pra tirar fotos junto comigo e a pessoa em questão agarrou minha cintura e tentou descer a mão para onde não devia.

 Zakuro: Sortudas são as que nunca sofreram nenhum abuso… Dentro e fora de eventos, sim, e bastante. Felizmente no meu caso “só” foram verbais, mas acho isso inadmissível e totalmente desrespeitoso. Já cheguei ao ponto de decidir não frequentar eventos com algum cosplay mais sensual por  saber que ouviria comentários desagradáveis ou receberia olhares constrangedores. Esse tipo de assédio nos faz sentir desconfortável com o cosplay… Para mim, cosplay não é pra se sentir desconfortável, é totalmente o oposto! É pra gente se sentir bem, feliz, confiante! Ironicamente, eu nunca ouvi essas coisas estando de crossplay.

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Zakuro – Alois Trancy – Kuroshitsuji

Mah: O que gostaria de dizer para os preconceituosos e abusadinhos de plantão?

 Haruka: Acalmem suas bundas, não é porque você pagou pra entrar no evento que tem o direito de ficar abusando e fazendo gracinhas desagradáveis com os cosplayers. Eles não gastaram tempo, paciência e dinheiro pra você ficar desrespeitando-os. Eu sou bem paciente e gosto bastante quando as pessoas vem conversar comigo, principalmente se for pra falar sobre o anime ou sobre o personagem que estou usando! Brincadeiras saudáveis são super bem vindas e a graça do evento é essa, um ambiente agradável pra todos os visitantes. E sobre os preconceituosos, apenas aprendam a ter respeito, não precisa gostar do que o outro está fazendo/usando, apenas guarde o comentário maldoso para si mesmo. E, se ainda assim não consegue guardar pra si mesmo, faça o favor de ir comentar com seu amigo, longe, discretos, sem encher o saco de ninguém.

 Zakuro:  Eu gostaria muito que essas pessoas aprendessem, de verdade, a conviver e entender melhor o diferente. Não precisa gostar, não precisa praticar, mas sim respeitar. Entender por que o outro se sente feliz com isso, e principalmente cuidar da sua própria vida. Ninguém gosta de ser pré-julgado pelos seus gostos, seja você cosplayer ou funkeiro. O crossplay também é uma forma de se divertir, de brincar de ser um personagem que você gosta, é se fantasiar! E os abusadinhos, aprendam a respeitar as pessoas. Só porque elas estão vestidas de alguma forma, não significa que elas estão pedindo a opinião verbal de um completo desconhecido. Na verdade, não usamos cosplay ou crossplay para ninguém além de nós mesmas. Se você não tem nada de positivo a dizer, então fique calado. E não, gritar “ô que gostosa!” não é um elogio. É nojento. Tenham mais respeito e consideração, porque não somos pedaços de carne ambulantes para vocês ficarem babando em cima.

 

Mah: E quanto ao preconceito INTERNO no quesito? Ex: cosplayer querendo passar por cima de cosplayer. Cosplayer pondo defeito no cosplay do outro. Pessoas se esquecendo de que cosplay é amor e diversão. O que você acha sobre isso?

 Haruka: É mais triste ainda, nós já sofremos um preconceito enorme de pessoas leigas sobre essa cultura, ter que sofrer preconceito de pessoas que estão no meio e gostam do mesmo que você é complicado. O tanto de brigas que podemos ver por aí porque fazem comentários maldosos publicamente em redes sociais… Isso não é melhor do que o fulano que ri de você na sua cara na rua, quando você sai com uma roupa diferente. Como disse na resposta anterior, se quer tanto comentar, faça isso discretamente, o chat existe pra você ter conversas privativas com seus amigos. Infelizmente são humanos, não tem como o preconceito acabar por completo, sempre terá esse tipo de coisa independente do meio em que se vive.

 Zakuro: Acho que é falta de louça pra lavar AHAHAHA~ eu acho péssimo. Odeio essas picuinhas, fofoquinhas, mentiras e falsidades que rola no meio. Cosplay querendo ou não mexe com nossa aparência, e consequentemente com nosso ego, e, por isso, algumas pessoas não sabem lidar com tal fato direito… Fora os ciúmes desnecessários. Não estou dizendo que todos deveriam ser amiguinhos e se amarem o tempo todo, eu sei que na vida real isso não acontece. O ser humano já é condicionado a julgar o outro o tempo todo, independentemente do meio em que vive. Mas acho que deveria existir um grande senso de respeito pelo trabalho dos outros. Se você não gostou, não precisa falar pra meio mundo e principalmente na cara do outro. Isso gera um desconforto tremendo. Eu sou muito feliz por fazer cosplay, por me divertir, por gostar do hobby e também por fazer cosplay com pessoas que têm o mesmo pensamento. Não nos importamos com a opinião alheia e nem entramos em brigas porque não temos idade pra isso, convenhamos. Só gostaria que os outros fossem mais discretos nas redes sociais quando fossem expressar suas opiniões…

 

Mah: Obrigada pela participação e parabéns pela vitória!

 Haruka: Eu que agradeço! Foi super divertido participar do concurso e uma honra poder ficar entre os três primeiros!

Zakuro: Muito obrigada! Devo dizer que essa foi uma experiência inesquecível e fico muito honrada pela colocação. Todo o processo foi um desafio enorme para nós, mas sinto que alcançamos nosso objetivo – ficar bishounens deliciosos e fazer a felicidade das fujoshis!

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Haruka – Shouta Kisa e Zakuro –  Yukina Kou  – Sekaiichi Hatsukoi

Quer ver mais fotos das meninas? Visitem a página delas no facebook!

 

Então é isso, amados.

Até a próxima!!

 

 



Sobre Kure Mah

Kure Mah. Fujoshi com grande senso de humor, às vezes bastante exagerado. Pessoa do interior que foi morar na cidade grande e fala com o "R" puxado. Pra sempre cosplayer iniciante. Ver todos os tópicos de Kure Mah

2 Comentários a Entrevista com Zakuro e Haruka, as vice-campeãs do “Concurso Cosplay”

  1. Miopia

    Só corrigindo:

    "K-dorama" isto não existe. Dorama é a leitura de Drama como se é escrito em japonês. Logo J-drama ou dorema. Em coreano drama não se escreve dorama, mas deulama, logo escreve K-dorama misturando inglês e japonês para algo em coreano não faz o menor sentido. ><

    • tanko

      Bom, é a transcrição da entrevista, como dita pela entrevistada, mas vamos corrigir.

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