Governo japonês procura culpados para baixo crescimento populacional

O dilema das mulheres japonesas e a repercussão do yaoi

O dilema das mulheres japonesas e a repercussão do yaoi

O Japão é um país que vira e mexe passa por problemas complexos: constantes terremotos por estar em uma região de elevada atividade sísmica, uma crise econômica que está afetando também o mundo inteiro e há alguns anos, o ritmo de crescimento da população está diminuindo.

Os inumeros motivos apontados para que o crescimento populacional japonês esteja comprometido caem em um mesmo ponto: as mulheres japonesas estão cada vez mais preocupadas com a carreira profissional e não se interessam pelos compromissos adquiridos com o matrimônio.

Sim, comprimissos adquiridos com o matrimônio. Se nos países ocidentais, tão arcaicos com relação a comportamentos sexuais, estamos avançados no que se trata da igualdade entre os sexos. (Texto: Noivas em Fuga)

Tive o prazer de conviver com um casal de amigos, ambos japoneses que estavam no Brasil a intercâmbio. A garota era um exemplo de pessoa que odiava o proprio país. Uma vez, perguntamos inúmeras coisas para ela, dentre as quais se ela já havia namorado um japonês, pergunta esta que teve uma resposta negativa. Lembro dela se referindo a homens japoneses de maneira não muito carinhosa e perguntamos se ela poderia nos dizer os motivos dela e do rapaz japonês estarem sem se falar. A resposta foi clara: “no Japão, os homens mandam nas mulheres. A gente deve obedecer o nosso pai e depois o nosso irmão. A autoridade segue essa hierarquia. Se em um recinto há homens e mulheres – que não sejam parentes – e caso seja necessário, um homem dará a ordem para que a mulher faça algo. A mulher tem que obedecer. Nós não estamos no Japão, ele não tem que me dar ordens”.

Pois bem, uma sociedade tão evoluida em diferentes aspectos, uma cultura e uma maneira de viver tão desejados por outros países no mundo, até mesmo servindo de exemplo, está cometendo um dos maiores sacrilégios: manter a submissão feminina em relação ao homem. O triste é que o Japão não percebe que este tipo de apenas piora seu quadro de crescimento. Enquanto as mulheres têm o direito de trabalharem em comércios, empresas e terem formação qualificada, elas continuam com a obrigação de cuidar da casa, dos filhos, da comida, da roupa, dos pais e dos sogros.

Um exemplo de como a sociedade japonesa ainda não está acostumada com a mudança nos próprios padrões, uma engenheira japonesa, Naoko Yamazaki foi aprovada pelo programa espacial e, depois de 7 anos de árduo treinamento, finalmente em abril de 2010 ela foi para o espaço. Naoko é a segunda astronauta japonesa. O que chamou a atenção é que ela é casada e tem uma filha. O marido Taichi largou o emprego em uma empresa de softwares e desde a entrada de sua esposa no programa espacial e virou “dono de casa”: é ele quem lava, cozinha, leva o filha para a escola, da incentivo e apoio emocional à esposa e ainda ergue faixas com lindos dizeres junto do filha. (Texto: Marido de Astronauta dona de casa)

Uma atitude certamente feminina e, se fosse em outro país, certamente seria mais um assunto corriqueiro. Talvez até tivesse um pouco de repercussão, mas certamente não causaria a comoção que causou no Japão.

O Japão está visivelmente se desesperando. A criação de um robô bebê, todo “engraçadinho” foi desenvolvido com o intuito de estimular a maternidade entre as mulheres em idade fértil (Texto: Bebê Robô). A preocupação é tanta, que estima-se que, até 2015, mais de um quarto da população japonesa tenha mais de 65anos de idade. Hoje, a quantidade de crianças não atinge os 15% da população. O país apresenta a menos taxa de natalidade dentre os países desenvolvidos e os jovens japoneses (aqueles que se encontram na idade reprodutiva) não estão interessados em sexo. (Texto: Queda do nº de Crianças)

E o yaoi com isso?

Bom… No topo de seu desespero, o material yaoi vem sendo severamente apontado como um motivo para a baixa dessa natalidade: ora, homossexuais não podem ter filhos (biológicos), logo, a “prática homossexual” ajuda a diminuir o número de nascimentos por lá, assim como mulheres fortes e decididas, que por serem bem resolvidas e independentes não precisam de homens e não precisam ser mães.

Sim, um pensamento simplista e, no final, apenas redefine o problema atual: machismo.

Uma atitude radical já foi tomada pela cidade de Miyazaki, em 23 de dezembro passado, se reuniram em conselho para determinar quais publicações são indicadas e quais são nocivas para os jovens. Claro que você, caro leitor, está acompanhando todo o nosso raciocínio entendeu do que se trata.

E isso não é especulação: isto é lei! Em 1977, o município de Miyazaki já havia decretado uma lei que restringisse as publicações consideradas nocivas aos seus jovens (menores de 18 anos). Basicamente, mangás conhecidos como ladie’s comics e os BL.

Estes livros contêm um pouco da sombra da violência e brutalidade em si, a maioria dos quais são para estimular os sentimentos sexuais e tendem a retratar as mulheres tomando a liderança sobre os homens. Estamos preocupados que, se os jovens lerem esse material, eles podem ter uma noção parcial que as mulheres desejam [estes sentimentos].

Além disso, se existem representações de mulheres superiores, incentivará a tendência para a homossexualidade e tornam difícil psicologicamente para ter uma relação sexual normalmente.

Embora não possa ser generalizada, é dito que os homens tendem a inclinar-se para a homossexualidade por pensar que eles não podem assumir a liderança.” (Texto: Discussão sobre Homossexualismo)

Um dos membros do conselho falou abertamente que, se os jovens leem os mangás onde as mulheres são consideradas dominadoras (fora de uma lógica comum) poderia desencadear nos homens a homossexualidade, pois os homens podem entender que as mulheres querem ser dominadoras, uma ideia estapafúrdia, pois não condiz com a realidade. Se um homem não pode ser provedor a casa, ele será gay. Certo? Bom saber…

Percebe-se então, como o Japão, um país tão aclamado por suas inovações tecnológicas, tão conhecido por sua paz, seus belos festivais ainda é um país onde a sociedade impera machista e esmagadora, quase a ponto de contar com censura para conseguir reverter o seu quadro de escassez populacional.

Como já disse Thomas Hobbes: “o homem é o lobo do homem” e o Japão não consegue perceber que as suas atitudes patriarcais estão devorando o próprio país.

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Sobre Otaku Chan

Sou a Otaku Chan, tenho 26 anos e estou no mundo do YAOI desde que conheci o mundo das fics (desde os meus 14 anos). Adoro mangás, animes, fanfics, ler e escrever. Ando meio afastada e querendo dar uma sacudida na minha vida virtual. Espero poder contribuir um pouco com todos e aprender também. Ver todos os tópicos de Otaku Chan

19 Comentários a O dilema das mulheres japonesas e a repercussão do yaoi

  1. *Clap, clap, clap, clap*
    Parabens pelo texto!!!! Pontos muito bem colocados (exceto pelo termo "homossexualismo" que nao se usa ja que "ismo" denota "doenca". Usamos o termo homossexualidade). Esta mentalidade japonesa esta mudando. As novas geracoes de homens estao comecando a respeitar as mulheres e a apoia-las em suas decisoes.
    E triste ver que relacionam alguns comportamentos ditos "improprios" pelas tradicoes com publicacoes, mas em alguns casos elas realmente influenciam. Para o bem e logico, mas isso nao e considerado "bem" para eles.
    Eu mesma procuro forcas a ler relatos de mulheres feministas pra enfrentar o machismo do Brasil, que se for ver deve ser muito maior que o japones. Nao estou justificando, mas existe infelizmente uma forte questao de hierarquia e isto e milenar. Aqui e pura e simplesmente falta de educacao e respeito.
    Apesar de leis retrogradas, as coisas estao mudando. Faz quase um ano da lei de Tokyo e algumas coisas mudaram, mas nao a vontade das pessoas em transformar seus proprios pontos de vista e comportamento.

    • Otaku Chan

      Olá, Klimt! Obrigada por ter gostado do texto. É realmente interessante como é a cultura, não? Ela influencia de tal maneira uma massa de pessoas que às vezes se torna quase impossível mudar. Mas é bom ver como as coisas estão mudando (nem que seja aos poucos).

      Ah, e sobre o termo homossexualismo, eu realmente uso homossexualidade. sempre me policio quanto a isto, deve ter saído sem querer ^^

    • tanko

      O único "homossexualismo" do texto foi o título do artigo de referência, escrito pelos redatores da Anime Pró. Então seria algo como "sic".

      Como eu sempre digo, acho que o machismo em ambas as culturas é bem pronunciado. No entanto, embora no Japão também haja casos de impunidade e ignorância, eu acho bem difícil dizer que a situação lá seja pior do que aqui. A gente mal ouve falar do que acontece nos recantos deste brasilzão e é muita coisa feia, muito crime que é decorrente da visão da mulher como posse.

      Embora a gente tenha mulheres quadrinistas no Japão… os editores são homens. Isso mostra bem a questão da hierarquia.

      • Lika

        Gente, não vejo nada de errado em usar o termo "homossexualismo", Eu o uso, assim como heterossexualismo. Se a terminação "ismo" é doença então altruísmo, cavalheirismo, egoísmo, comunismo, budismo [...] É tudo doença?! Homossexualismo e homossexualidade não são sinominos perfeitos. “-ismo” é usado para designar grupos sociais ou movimentos. A não ser que seja uma alguma intoxicação, como Alcoolismo por exemplo… Homossexualidade é uma característica de um indivíduo, é a opção sexual. Como em felicidade, normalidade, maturidade jah a outra é uma palavra mais abranjente. Naquela epoca não era a palavra que era doente e sim os homos ._.' Enfim, preconceito está na cabeça das pessoas e quem fala homossexualismo pensando em doença fala qualquer outro similar com a mesma ideia.

  2. mahlenneth

    Adorei o texto, muito bom.
    Mas realmente, o Japão é um país bem avançado em relação a tecnologia e tudo mais, só que em relaçao ao ser humano, a pessoa em si o Japão está muito atrasado. Lógico que a gente não esquece que isso é parte da cultura deles, sempre foi assim, da mulher ser subimissa ao homem.
    Tenho uma tia que morou lá com o marido japonês(brasileiro) e quando ela falava pras colegas japonesas dela que ele ajudava na casa elas ficavam bobas, não acreditavam nela.
    E o que mostra em animes de homem cozinhar, de ajudar, de fazer as coisas é só em animes mesmo, não é a realidade de lá, uma pena, né.
    O que yaoi tem a ver com a parada aí é meio tenso, hein. Até parece que por ler yaoi você vai virar gay, ha. Mentalidade limitada a deles. Quem lê a Super Interessante deve saber que esse mês saiu uma reportagem sobre filhos de casais gays, a maioria não vira gay. E como você explica o fato de filhos gays nascerem de casais héteros?
    Aiaiai!!
    Uma coisa que percebi em relação ao yaoi também é que parece que ultimamente os mangás estão sendo censurados, vi uma matéria sobre isso também num blog americano. É muito nada a ver essas coisas.
    As mulheres estão cansadas de obedecerem e serem mandadas, tem nada a ver com yaoi, não. Eles querem é jogar a culpa nos mangás, isso sim. Quero ver se pararem de mandar nelas que acontece.
    Espero que o Japão "veja" o que faz também e criar bebê robô adianta muito, não, na minha opinião.

    • Otaku Chan

      Não é mesmo? Eu lembro de ter lido uma reportagem (tb no Globo) sobre uma repercussão negativa quanto a homossexualidade no Japão, mas não achei mais o texto (e olha que pesquisei por uns dias), mas é isto: eu particularmente acho que as pessoas nascem assim. Ninguém quer ser menosprezado ou maltratado, ofendido, esculhambado de graça na rua, logo, por que achar que ser homossexual está ligado a um comportamento?)

      Obrigada por ler o texto!

    • Lá não tem chefe de cozinha não?

      Bem, o que me intriga é que eles, lolo logo, terão uma máquina de fazer bebes, e pra mim, adianta tanto do que fabricar robos, concorda?

  3. Tai

    Concordo, nao tem nada a ver com yaoi, é questao de mentalidade limitada mesmo, e esconder os fatos:
    uma japonesa pensa: – tenho que ficar em casa cuidando de filho e marido, ser submissa, parar de estudar… que inferno de vida!
    Sem contar os absurdos extras, violencia domestica, por exemplo. Vi no jornal que uma japonesa
    era espancada pelo marido e nao tinha nenhuma lei contra isso. Com relacao a outros paises eles
    estao muito atrasados nessa questao…

    • Acho que isto depende muito do ponto de vista, não? Voce deixaria a tua filha namorar dependendo da idade dela ou da sua mentalidade? Ou dependeria do sujeito se possui uma família bem estruturada, ou deixaria se fosse um mendingo?

      Muitos o achariam que é questao de mentalidade limitada da pessoa averiguar isso, não é? Cada pais pode adotar os seus preceitos como quiser, e não julgarmos, pois o nosso país possui muitas irregularidades que provavelmente o Japão, repudia.
      My recent post Programas Universais

  4. Steh

    Primeiramente, ótimo texto! ^_^
    Culpar algo senão a própria sociedade japonesa (e isso não se aplica somente a sociedade japonesa, como também a nossa ou qualquer outra) é apenas uma maneira mais fácil de encarar o problema. Bem sabemos que tradições sociais de hierarquia levam décadas para serem construídas e séculos para serem desfeitas.
    Não me admira ver as mulheres "fugindo" de compromissos matriarcais quando seu currículo vai para o lixo e sua nova profissão passa a ser "esposa".
    O yaoi é nada mais que um escapismo, um entretenimento. Como bem disse meu amigo gay, "não se 'vira' gay, isso é bobagem". Pois bem, material/texto algum é capaz de mudar alguém biologicamente, apenas transformar conceitos e preconceitos.

  5. xuxu

    Muito bom! Hoje no Japão o único herdeiro ao titulo de imperador só tem uma filha mulher, como as mulheres, por lei, não podem ocupar o trono.
    Estão esperando que ela tenha filhos homens, caso contrario o titulo será dado a um primo distante!
    Li uma matéria sobre isso a algum tempo e achei absurdo, qualquer um é melhor que ter uma mulher imperatriz?! O.o
    Mesmo no Brasil, que é bem mais pra frente sobre esse assunto do que o Japão esse tipo de coisa acontece, falo por mim mesma.
    Trabalho com TI, que é uma área dominada por homens. As mulheres não são levadas a serio como profissionais competentes! Mesmo que sejam extremamente competentes elas tem que trabalhar 3x mais que um homem pra conseguir algum respeito simplesmente pq são mulheres!
    Fico revoltada com essas coisas >.<

  6. Ótimo post, e bem, é complicado ver essas controvérsias vindas de um lugar que admiramos tanto – é complicado saber que o berço de nossas grandes paixões está se destruindo, e querendo destruir junto o que amamos… sem falar machismo é uma das piores que enfrentamos por aqui – imagina como deve ser por lá… E eu compreendo as dificuldades que eles passam por causa da baixa taxa de natalidade, mas as conclusões sobre as mulheres dominadoras tornarem os homens gays foi a coisa mais what the fuck que já vi na vida… e colocar a culpa nos mangás… bem, era de se esperar… é tudo culpa dos animes e mangás, sempre, em todo canto. Fácil usar um bode expiatório que não pode se defender.

  7. Otaku-chan!! *Illy chega dando um abraço de panda suuuuuuuuper forte*
    Saudades, hein?

    Meus parabéns pelo excelente post, Otaku-chan o/

    E tudo, de acordo com mais e mais o tempo passa, acaba apenas reafirmando algo que digo há anos sobre o Japão: que a sociedade japonesa é doente.

    Um país onde um homem adulto de 30 anos de idade, em um barzinho ou mesmo uma festa da empresa NÃO consegue se aproximar de uma mulher de 25 anos e começar a conversar socialmente – na verdade precisando de uma firma de relacionamentos para fazer isto É fruto de uma sociedade doente.

    Um machismo absurdo sob todos os viés, onde se tenta justificar que a homosexualidade é culpa de mangas onde a imagem da mulher dona de si, trabalhadora, competente humilha os homens a ponto deles quererem virar gays para não lidar com isso é algo tão espafúrdio que dá vontade de ir lá e fazer com estes ilustres dinossauros o mesmo que sempre sonho em fazer com os políticos do nosso país.

    Sério. De que adianta ser tão avançado nas áreas de tecnologia – a ponto de fazer bebês robóticos extremamente parecidos com os humanos – e ser tão neandhertal com a evolução nas questões sociais de gênero? Nada, não é?

    Estes ilustres imbecis devem ter selecionado para os meninos jogarem o jogo o qual ganha o personagem que mais estuprar mulheres.

    Oh. Sim, este jogo existe – proibido nos EUA, Europa, etc – é um no qual o personagem é mandado para uma faculdade onde você, enquanto homem, vai aprender todas as táticas de como se aproximar de mulheres, enganá-las, espreitá-las, assediá-las, como dizer o que elas esperam ouvir para baixarem a guarda e confiar em você e como se atacar sexualmente uma mulher e estuprá-la. Ganha mesmo o que conseguir, como eu disse mais acima, aquele que estuprar mais mulheres.

    Divino, não é mesmo?

    Well… Vou parar por aqui, senão ficou mais louca de raiva ainda e bem… ¬¬

    Novamente, valeu pelo excelente post, Otaku-chan ^~ É ótimo termos um lugar para conversarmos e opiniarmos criticamente contra tudo isso o/

    Também gostei demais do post no link 'Viadagem justificada: mulheragem…' O texto é ácido >D

    Abraços, meninas!!!

    VIDA LONGA AO BLYMEEEEEEEE O/O/O/

    Illyana HimuraWakai
    illyana.himura@gmail.com
    @IllychanHimuraW
    My recent post Ciclo de Memórias

  8. Lika

    Wau *O* Muito Bom post! Amei! Me senti mais culta ^-^/

  9. Nayara

    Ola, adorei o seu texto.
    Estou fazendo alguns estudos a respeito do Japao, e seu texto ajudou muito.

    Mas, se fosse possivel, gostaria de manter contato e que vc me ajudasse a sanar algumas duvidas, que nao encontro na internet abertamente.

    Se puder entrar em contato comigo peo comigo por e-mail, eu agradeceria muitissimo: nayaraespezim@hotmail.com

    Desde jah agradeco a atencao.
    Nayara.

  10. Adorei o texto e concordo em muitas coisas, principalmente por ter amigas morando lá e amigas que moram aqui e são descendentes de famílias japonesas tradicionais e tenho mais ou menos uma visão do que acontece ali, de como o casamento é mais tratado como um negócio e de como a mulher ainda tem que se submeter tanto aos homens, mesmo tendo uma posição social acima do esperado por lá. Coisas pequenas para muitos e grande para alguns.

    Bom, mas acho que tem uma coisa que você esquece de colocar no seu texto, por exemplo o desejo de muitas mulheres por esse ideal de submissão. Isso mudou muito hoje em dia, mas antigamente, mas não tão antigamente assim, as garotas no colegial só sabiam falar de uma coisa: casamento. Era comum a mocinha terminar a escola e logo procurar por um marido, ou ainda procurar enquanto estivesse nos seus últimos anos de escola. Era o esperado delas, praticamente seu sonho. Mais que isso, é algo cultural.

    Todos sabemos como japoneses são com seus costumes, e por mais que haja uma mudança, é lenta, tímida. Por exemplo, eu vejo em vlogs de pessoas que moram lá como a influência pop é capaz de fazer mudanças nos jovens, muitos rapazes japoneses adotam hoje em dia o comportamento de astros de KPop (Korean Music Pop) que, pra qualquer pessoa que já viu programas com esses astros, é um tipo de comportamento MUITO diferente do comum japonês, podemos até classificar como mais aberto e mais parecido com o ocidental (embora seja para a mídia e como todos sabemos muitas vezes falso, porque sabemos que na prática é bem diferente). Rapazes mais carinhosos e abertos com seus sentimentos, e o mais interessante é a própria reação das japonesas sobre isso, até mesmo uma amiga minha: "Eu não namoraria um rapaz que agisse assim, isso é muito gay"

    Então entramos em outro ponto, o fato de que não apenas homens são machistas, muitas mulheres também. Não podemos esquecer que mais que um fato, isso é cultural e até mesmo humano, as mulheres desejam um homem que possam protege-las, cuidar delas, seja isso submissivamente ou ativamente, nenhum mulher quer se casar com um rapaz completamente submisso a ela, geralmente elas dispensam rapazes assim. Sem contar que não podemos tocar no assunto sem esquecer o orgulho que vem junto a isso, orgulho que muitas vezes cega as pessoas, simpatizantes ou não, estudiosas sobre o tema ou que apenas esbarraram nele, que existe muito mais ali que simples machismo. Ainda mais quando falamos de um país como o Japão que tanto preza suas raízes culturais e históricas, seja em retirar o sapato antes de entrar em casa ou tomar sempre sopa missô de manhã.

  11. Aí chegamos a parte da homossexualidade e dos mangás BL. Bom, eu não entedia a algum tempo atrás o medo dos políticos sobre como esse material poderia influenciar os jovens. Poxa, eu sempre li conteúdo BL, desde pequena se for pra explicar melhor, e nunca fui ou sou influenciada com algo ali, no minimo tenho mais tolerância, uma visão diferente do mundo e minha mente completamente pervertida, mas o BL não é o único fator nisso, é apenas mais uma ferramenta para que eu estabeleça meus gostos e meus hobbies, assim como livros e filmes que assisti e gostei ou desgostei. Mas ainda assim não posso entender o quê há demais nisso, pois não sou uma jovem japonesa e meu cotidiano é muito diferente.

    E é por isso que não acho que um dia poderei entender.

    Novamente conversando com uma amiga, porém, pude ter uma ideia do medo dos políticos ou dos mais tradicionais. Veja bem, assim como o KPop, que nem ao menos é uma cultura pop do país, pode influenciar os rapazes ou garotas, imagine algo já estabelecido como cultural para eles e para o resto do mundo como os mangás são? E isso vai além do BL, abrange o shoujo e o shonen também. Assim como usado para controlar a massa, por exemplo, jogando no mercado material pra trazer de volta esse jeito submisso as mulheres, se vermos por muitos shoujos populares, ou games otomes onde achamos tão populariamente e de forma engraçadinha garotas submissas aos rapazes, também encontramos garotas independentes, geralmente mostradas em mangás sérios e mais adultos, que assim como um livro, poderia mudar a vida de uma jovem que lesse.

    Na visão de qualquer um menos culto ou que não se importa o bastante para entender o comportamento comum dos jovens, o que isso significaria? Uma invasão aos bons costumes.

    Claro, há seus "se" e seus "não é bem assim", mas quero lembrar que não estamos morando lá e não sabemos como é o mercado interno do país, não frequentamos os grandes centros comerciais de Tokyo, não moramos em cidades pequenas pra saber o que realmente se vende lá. Então o máximo que temos é uma ideia geral da ponta do iceberg.

    Sem contar que novamente, não somos jovens japoneses, não vivemos sua rotina, não temos o peso de sua cultura e sem dúvida não sabemos como as coisas realmente funciona por lá. Eu pelo menos tenho a ideia que eles são fáceis de se influenciar, e isso por diversos fatores já conhecidos da personalidade e do jeito de lidar com as coisas dos japoneses.

    Acredito até mesmo que essa visão infantil sobre a homossexualidade por parte do governo japonês tem muito da visão ocidental sobre o tema. Além do medo com a baixa natalidade que querendo ou não também pode estar relacionada com o desenvolvimento sexual dos jovens japoneses.

    E nem podemos esquecer que fujoshis ou aquelas que leem mangás BL's no Japão são BEM diferentes das ocidentais, seu comportamento e sua forma de pensar.

    Bom, eu realmente acho que passei mais ou menos o que queria dizer, acho que perdi um pouco o foco pro final, mas tentei fazer com que ficasse do melhor modo possível de se entender . Até coloquei algumas linhas de modo diferente para não passar a impressão errada, por isso espero não ter ofendido ninguém D:

    Só acho que para falar abertamente sobre isso é mais que necessário entender e ter uma ponte para o tema (como minhas amigas e o casal que a Otaku Chan conhece) também é preciso viver. Eu dei uma opinião que já tinha presa a um tempo na cabeça sobre o tema. Mas não descarto as dos outros e até concordo em muitos pontos, só quis dizer algo diferente daquilo que é esperado.

    E ficou tão grande que tive que dividir em dois. Sinto que falei demais agora.

  12. Sawada

    tipo uma das únicas pessoas assim que eu mais respeito são as mulheres e eu as vejo como igual não me acho superior e eu axo q essa atitude dos japoneses de ser machista bem ridícula. Só isso que eu tenho a dizer

  13. Parabéns pelo texto ficou muito bom!

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